Base de Conocimiento

Título

Editorial

Colaborador

Há dezenove anos, a cidade de Santos ousou, e teve início o capítulo brasileiro na história da Redução de Danos. O preço? Incompreensão, medo, perseguição. E resistência. O novo sempre vem, diz o poeta. Depois de Santos, vieram outras cidades, e desde muito cedo, uma certeza: era preciso um novo tipo de trabalhador de saúde, que soubesse reconhecer os códigos dos territórios constituídos pelas pessoas que usam drogas, em meio a um cenário de criminalização. Surgiam as redutoras e os redutores de danos. Hoje, somos centenas por todo Brasil. Segundo o Levantamento Situacional produzido no Projeto RoDa Brasil, 556 distribuídos em 18 estados brasileiros. Mas, a depender de relatos nos quais muito confiamos, somos bem mais do que isto. Crescemos, e cresceram nossas responsabilidades. Por todos os cantos, abundam os relatos de participação em Conselhos, Fóruns e nas mais distintas esferas públicas de controle social. Em 2007, tivemos diversos redutores de danos participando da XIII Conferência Nacional de Saúde, e hoje ninguém mais questiona quando afirmamos que a Redução de Danos é um dispositivo da Reforma Psiquiátrica. É com este espírito que chegamos no VII Encontro Nacional de Redutoras e Redutores de Danos. Voltamos a cidade de Santo André, que nos acolheu há dois anos, buscando a definição da Plataforma Política do Movimento Social de Redução de Danos. Além disto, o encontro também marca um momento de profunda reflexão sobre os modos de gestão e organização do próprio movimento.


Plataforma Política do Movimento Social de Redução de Danos do Aborda Brasil -Associação Brasileira de Redutores de Danos-.


Aborda busca destacar a importância de redutoras e redutores de danos, defendendo a melhoria de suas condições de vida e trabalho, e contribuindo para sua organização e capacitação técnica. Além disto, defendemos a ruptura com paradigmas ora instituídos no que tange aos discursos sobre drogas e pessoas que as usam através da articulação com movimentos sociais, universidade e Estado, contribuindo para a construção de políticas públicas diferenciadas, abertas à participação cidadã de populações sobre as quais recaem os efeitos de dispositivos que muitas vezes impedem seu acesso aos mais básicos direitos. A atual modelo de gestão da ABORDA é constituído por um Colegiado Nacional de 27 pessoas, um Comitê Executivo de 7 pessoas, e Grupos de Trabalho constituídos a partir da iniciativa dos ativistas, e das demandas da emergente no movimento de Redução de Danos.